Renderizando para impressão |
“Esclareça suas dúvidas sobre DPI, LPI e PPI que tanto dificultam o artista digital na hora de imprimir seu arquivo em alta resolução” |
DPI, PPI, LPI; Que confusão! Entender essas três siglas é uma coisa um pouco complicada, e mais complicado ainda é tentar entender quando os livros sobre o assunto estão errados! E não por serem escritos por pessoas que não conheçam o assunto, mas por pura falta de cultura digital.
Essa confusão aconteceu porque no começo da era digital no Brasil, muitas pessoas traduziam o Pixel como “ponto”. Como a cultura impressa tem muito bem definido o que é um Ponto, começaram a traduzir erroneamente o PPI (Pixel per Inch) como “DPI de arquivo”. Há ainda alguns impressores gráficos que chamam os Desenhos de uma LPI de “Pontos do LPI”. Assim, é fácil encontrar livros sérios sobre o assunto dando o mesmo nome (ponto) para 3 coisas completamente diferentes.
Tudo isso não importa muito para o designer digital, pois ele sempre acaba ligando para um amigo designer gráfico e este sempre diz: “é só deixar a imagem em 300dpi”. Então, quase como máquina, ele ajusta os 300DPIs de sua imagem e pronto, ela está boa para impressão. Será? Na maioria dos casos, sim, mas você nunca se questionou por que são 300dpi e não 250 ou 1000? Ou nunca se questionou por que o Photoshop usa a nomenclatura PPI em vez do DPI? Então vamos entender esse processo. |
Colocando a imagem no papel (LPI – Line Per Inch) |
Todos sabemos que uma imagem impressa é composta por minúsculos pontos que nos dão a impressão de tons diferentes, certo? Errado! E esse é o erro que mais dificulta o aprendizado correto do LPI |
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Uma imagem impressa é composta por Linhas e Desenhos. Existe uma enorme diferença entre o denominado Ponto e o Desenho. O Ponto tem um único tamanho, sempre. Já o Desenho varia seu tamanho.
O sistema LPI inicialmente era realizado por lentes fotográficas especiais. Essas lentes transformavam os tons claros e escuros de uma imagem separando-os por Linhas e Desenhos. A primeira lente separava a imagem em um conjunto de 50 LPI (Line per inch / Linhas por polegadas), ou seja, 50 linhas horizontais e verticais entrelaçadas, que cabiam dentro de um espaço de uma polegada (2,5cm). Os Desenhos, responsáveis pelos tons da imagem, aparecem em cada encontro dessas Linhas variando seu tamanho de 0% (inexistente) a 100% (quando ele encontra com o desenho de outra linha, não deixando nenhum espaço em branco). |
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Os Desenhos são formados no encontro de cada linha horizontal/vertical produzidas pelo LPI. O tamanho de cada desenho dentro do seu espaço é que nos dá a impressão de tons claros ou escuros. |
As lentes especiais foram evoluindo até chegarem a compor 150 LPI, uma quantidade de linhas por polegada que é praticamente imperceptível. |
E onde entram os Pontos? (DPI – Dots per inch) |
| Hoje em dia os fotolitos, materiais fotográficos que fazem parte de um dos estágios da impressão, são feitos por impressoras e não mais por processos fotográficos. Isso significa que são impressos por pontos.
Uma impressora de grande porte é capaz de imprimir mais de 4000 pontos seguidos em linha num espaço de 2,5cm (ou seja 4000dpi). No entanto, é o sistema de Linhas e Desenhos o responsável pela ilusão das imagens em meio tom numa impressão comercial. Logo, os DPIs da impressora são os responsáveis pela boa confecção das Linhas e dos Desenhos de um LPI digital.
Como as impressoras superaram as antigas lentes, uma impressora de 4000dpi é capaz de imprimir um fotolito de até 200LPI. Apenas impressoras com o sistema Post-Script fazem a impressão por simulação de LPI, as outras, normalmente as caseiras, imprimem por Difusão de Pontos, ou seja, vários pontos do mesmo tamanho que, aglomerados ou separados, nos dão a impressão de tons claros ou escuros. |
Arquivos de imagens (PPI – Pixels per Inch) |
Como o próprio nome diz, PPI é a quantidade de Pixeis que o seu arquivo vai imprimir no espaço de uma polegada. O PPI, seu arquivo digital, é totalmente ligado ao LPI. Para que o Desenho do LPI seja bem formado, é necessária a relação de 2 Pixeis do seu arquivo para cada 1 Desenho LPI de impressão. Se o seu arquivo não for proporcional a essa conta, e os seus pixeis forem menores em quantidade do que o LPI da impressão, a impressão formará a silhueta dos pixeis da sua imagem, e não tomá-los como informação de porcentagem ao Desenho do LPI. |
300PPI está certo ou errado? |
Por sua quantidade ser quase imperceptível, os 150LPI foram adotados como padrão para a maioria dos fornecedores de fotolitos. Logo, 150LPI necessitam de 300PPIs de um arquivo digital para a boa impressão (2 pixeis x 150 LPI = 300PPI). Mas, atualmente, algumas revistas estão usando fotolitos de 175LPI, então, o certo seria preparar um arquivo com 350PPI. Enviar um arquivo com 300PPI para uma impressão de 175LPI é errado. No entanto, como estamos tratando com desenhos muito pequenos, poucas pessoas conseguem ver essa diferença de qualidade, mas um cuidado a mais com seu projeto sempre é bom. |
Então, sempre devo imprimir em 175LPI? |
Não. Nossa tecnologia consegue imprimir até mais que 175LPI, mas nem todos os materiais comportam essa resolução. Existem variados tipos de papel no mercado, e cada papel tem uma tolerância à quantidade de tinta. Por exemplo, um papel Couche é muito melhor impresso em 150LPI, pois em 175 os desenhos são muito pequenos, e como o papel é liso, eles borram muito fácil. Já um papel jornal absorve muita tinta, por isso algumas impressoras estão setadas em 100LPI, pois a fusão dos pontos devido à absorção do papel ajuda na ilusão dos meios-tons. |
RENDER. Prepare seu arquivo 3d para um impresso Vai preparar uma imagem para impressão? Agora que você sabe, é muito simples: 1 - Ligue para a revista onde seu arquivo vai ser impresso e pergunte em quantos LPIs ela vai ser impressa. Multiplique por 2 - essa é a quantidade de PPIs que deve ter a sua imagem; anote num papel (ex: Meu fornecedor imprimirá em 150LPI – logo, meu arquivo deve ter 300PPI.). 2 -Anote o tamanho que sua imagem vai ter (minha imagem terá 10cm na altura pelo proporcional na largura). 3 - Como as contas são feitas em polegadas, converta sua imagem de cm para polegada (ex: 10cm é igual a 4 polegadas). 4 - Multiplique o número de polegadas do tamanho da sua imagem pela quantidade em PPI do arquivo para obter a quantidade em PIXEL da imagem (ex: 4 polegadas x 300LPI – 1200pixeis). 5 - No seu editor de imagens preferido, converta sua imagem do modo RGB para CMYK – Ou para GRAYSCALE. Pronto! Para que uma imagem de 10cm na altura seja impressa em 150LPI, ela deve ter 1200pixeis na altura e o proporcional na largura (é só travar as proporções na janela do render). Tenham bons renderings!
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Criado por Raul tabajara |